
O mais tradicional formato de piano é o de cauda, sonho de praticamente todo o pianista, encantador tanto pela imponência quanto pela beleza, além da tradição. Muitas pessoas, inclusive, consideram o piano um dos objetos de decoração mais elegantes que um ambiente pode ostentar.
Nos pianos de cauda, as cordas estão dispostas na horizontal, no mesmo sentido das teclas, com o mecanismo posicionado abaixo delas e praticamente toda sua extensão exposta, quando a tampa está aberta, o que acarreta maior volume sonoro. Os martelos que percutem as cordas retornam à posição de repouso pelo seu próprio peso, o que permite que uma mesma nota seja repetida até 14 vezes por segundo, aproximadamente.
Também chamados horizontais, esses instrumentos podem apresentar tamanhos diversos, que se adaptam às necessidades de sonoridade e às restrições de espaço que, muitas vezes, são determinantes na escolha do modelo. É importante lembrar que o volume sonoro e o timbre de um piano têm relação com o comprimento das cordas e o tamanho da caixa harmônica, portanto alguns modelos são indicados para ambientes menores, enquanto outros são ideais para grandes salas de concerto. Em razão das inúmeras peças que o compõe, um piano de cauda pode pesar mais de 580kgs.
É comum se falar em pianos de cauda inteira, ½ cauda e ¼ de cauda, mas não há um padrão de medida específico e cada fábrica de pianos desenvolveu projetos exclusivos para cada modelo, pois, quanto mais comprida a corda, maior é a tensão necessária para fazê-la soar corretamente, o que exige estrutura mais resistente e pesada. Em contrapartida e como consequência, o instrumento apresenta maior volume sonoro e diferenças de timbre.
Por conta disso, os chamados pianos de cauda inteira são os mais indicados para salas de concerto, teatros e outros ambientes em que é necessário preencher o espaço com sua sonoridade. E há também o fato de que, nesses ambientes, o piano, muitas vezes, é acompanhado por orquestras e grupos de vários instrumentos, o que exige mais volume para equilibrar a sonoridade.
Também podem frequentar residências e escolas, a fim de proporcionar ao estudante ou pianista maior similaridade com o instrumento que encontrarão nos ambientes maiores.
Diferentes modelos, além do tamanho, apresentam outras características diversas, como número de pedais, quantidade de teclas e recursos relacionados ao acabamento. Quanto à mecânica, podem apresentar alguns detalhes que o diferenciam dos pianos verticais ou mesmo de outros de cauda como a existência do pedal tonal, por exemplo, – necessário apenas para a execução de peças avançadas do repertório, portanto praticamente acessório para a maioria dos estudantes – e o característico mecanismo do pedal una corda – que ocasiona uma movimentação do teclado quando acionado.
Os grandes pianos de cauda, presentes em teatros e salas de concerto, possuem toda estrutura necessária para produzir volume sonoro suficiente para serem ouvidos nesses locais, sem necessidade de amplificação. Também servem a ambientes mais intimistas como bares e restaurantes. E atendem bem a uma infinidade de estilos, dos clássicos aos populares. E se o ambiente não é tão grande, o volume sonoro pode ser menor, há inúmeros tamanhos e tipos de piano de cauda disponíveis no mercado, aptos a atender a qualquer necessidade.
Basicamente, os pianos de cauda, também chamados grand pianos, podem ser classificados em seis tipos de acordo com o comprimento, medido entre a régua dianteira do teclado à extremidade mais distante da cauda:
Também chamados de Crapô ou Mignon, são os menores dos pianos de cauda. Sua sonoridade é, muitas vezes, similar à dos pianos de armário ou verticais, por causa do tamanho das cordas. O comprimento se situa entre 134 cm e 148 cm. Esse modelo de piano tem deixado de ser produzido pelos fabricantes atuais.
Conhecidos como ¼ de cauda, são os mais populares modelos, por causa da qualidade sonora, o apelo estético e o preço mais acessível, sendo, possivelmente, o modelo mais adequado para ser instalado em um apartamento. O comprimento varia entre 149 e 169 cm.
São os pianos médios de ½ cauda, com comprimento entre 170 e 174 cm. Em geral, possuem excelente relação custo-benefício e boa fidelidade timbrística.
São os pianos de ½ cauda por excelência, com comprimento entre 175 cm e 199 cm. São indicados para residências com espaços confortáveis dedicados à música, assim como para escolas de música e como instrumento de estudo para profissionais. Também pode ser utilizado em pequenas salas de concerto.
Chamado semi-orquestral, o piano de ¾ de cauda apresenta comprimento entre 200 cm e 227 cm e pode ser utilizado em salas de concerto, para música de câmara ou apresentações solo.
Também chamado Orquestral, tem comprimento acima de 228 cm, podendo chegar a até 300 cm. É o piano destinado a atender às grandes salas de concerto e cuja resposta timbrística e sonora mais se aproxima do ideal.
O piano de cauda é um instrumento de mecânica extremamente refinada e complexa, cujo timbre é influenciado por diversos fatores como, principalmente, a qualidade das matérias-primas e da fabricação, sua preservação e, até mesmo, o local onde está posicionado.
Seu desenvolvimento até o formato atual, considerado ideal em termos de sonoridade, levou séculos e recebeu contribuições valiosíssimas em cada inovação. Os pianos de cauda possuem características próprias que auxiliam o músico em sua intepretação, e cada parte ou mecanismo foi desenvolvido para adequar o instrumento a diferentes necessidades.
Um dos elementos mais visíveis e, por conta disso, muitas vezes valorizado apenas como elemento decorativo, é a tampa do instrumento. Nos pianos de cauda, a grande tampa, quando levantada, aberta, confere ao instrumento toda a aura de imponência e luxo que ele predispõe.
Sua função, no entanto, passa longe de ser apenas decorativa. É por meio do uso das diferentes posições da tampa que o pianista pode equilibrar a sonoridade do piano de acordo com o tamanho da sala em que está posicionado e do público presente, com os músicos com quem está tocando e com necessidades específicas de interpretação.
Os pianos de cauda, geralmente, possuem duas posições para a tampa, ajustadas pela haste presa ao corpo do instrumento. Quando totalmente aberta, além de não bloquear a propagação das ondas sonoras, a tampa do piano de cauda funciona como um anteparo que as rebate, direcionando-as para o público. A tampa meia aberta, por sua vez, propicia projeção mais direcionada, mas sonoridade mais contida, ideal, muitas vezes, para uso quando o pianista está acompanhando cantores ou instrumentos solistas de pouco volume sonoro ou pequenas orquestras de câmara ou corais.
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